"Uma vida não questionada não merece ser vivida" (Platão)

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Considerações Gerais

Este foi um ano bastante proveitoso. Aprendi e refleti muito. Muito mesmo. E sobre tudo. Tive momentos desesperadores, momentos de profunda melancolia, e momentos em que não consegui me segurar de tanta alegria. Muitas perguntas, muitas resposta, mais perguntas, mais respostas, num círculo vicioso que deverá durar por todo o sempre. As respostas sempre me vêm, mesmo que com meses de atraso. Mas, enfim, talvez a lição mais importante que eu aprendi seja que não importa por que estou aqui,
mas o que estou fazendo aqui.


 

Algumas pessoas a minha volta vivem tristes. Tristes, tristes, tristes… é seu direito. O que posso dizer a respeito da tristeza é que ela vicia. Vicia mesmo. Ela nos vai consumindo de tal forma que, após um tempo, torna-se uma droga. Vira uma necessidade! E, com isso, procuramos motivos para ficarmos tristes. Razões e razões para que a vida se torne uma grande merda e possamos dizer não faz sentido. Aliás, essa última sentença é a mais profunda fonte de razões para "merdificação" da vida. Ela não faz sentido.

Como diria certo filósofo, não faz sentido dizer que a vida não faz sentido. Concordo, mas sei que se tu que me lês for um verdadeiro partidário da vida insensata nos fará chegar a um círculo vicioso. Se eu fosse um pouco mais duro, eu poderia dizer: "a vida não faz sentido? Exploda a tua cabeça agora, então". Infelizmente, eu sou um pouco mais sentimental que isso…


 

As pessoas têm sonhos. Uma colega minha quer ser médica, outra musicista. Um, quer criar RPGs enquanto outro, mangás e animes. Alguns querem simplesmente ir aproveitando sua vida e manter-se… vivos. Apenas viver! Outros, almejam a popularidade. Conheci pessoas que desejam unicamente ajudar as outras, seja com projetos de inclusão social, seja apenas arrecadando roupas e alimentos. Cada um tem um sonho, um desejo. Cada um tem um sentido, uma direção.

A questão, então, é que preço estamos dispostos a pagar. Esse pagamento que será o divisor de águas entre os realmente felizes e os realmente tristes. Esse pagamento será o "seletor natural" da felicidade.

Quais são os entraves dos nossos sonhos? Às vezes o dinheiro, às vezes os pais. Às vezes o tempo, às vezes o preconceito. Às vezes a situação social, às vezes o mero acaso. Às vezes… às vezes nós. Diante de tudo isso, a pergunta volta. Quanto você está disposto a pagar?, ou melhor, Até onde você vai pelo teu sonho? Se um sonho fosse fácil, não seria sonho, não seria utopia. Não valeria a pena.

Não me perderei por todos os detalhes dos embates que têm alguém que quer seguir o seu caminho. Basta, apenas, dizer que quem aceita facilmente um não não irá longe. Quem não estiver disposto a brigar por si, não irá longe. Quem não estiver disposto a sacrifícios não terá seu sentido.


 

A vida é dura. Comparada a quê?, perguntou algum filósofo.


 

Enfim, aprendi muito este ano.


 

PS: como cantou um maconhado: "Não diga que a canção está perdida!"

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

E eis que vejo nossa fraqueza.
E eis que vejo nossa futilidade.
E eis que vejo nossa podridão.
Humanos, apenas humanos e nada mais que humanos.
Eis que vejo a nossa patética inconsciência sobre tudo.

Mas o mundo não está perdido, eu sei. Eu sei porque estou cercado de gênios. Gênios em suas áreas - não falsos gênios que decoram qualquer coisa - e que pensam. PENSAM! Gênios na arte de escrever, gênios na arte de desenhar, gênios na arte de contar, gênios na arte musical, gênios na arte de amar... São tantos, mas são ofuscados pela perversa tribo que destrói lentamente o nosso mundo. Eu os vejo dispersos, cada um em seu rumo. Eu os vejo solitários, sem um verdadeiro grupo e sem um razoável por quê. Eu os vejo, mas eles não se veem! Eu os vejo! E penso: ainda há esperança, pois eles estão aqui!

Uma pequena homenagem aos gênios que me rodeiam e que me fazem sentir esperança.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

João e Maria

Joãozinho: Tenho uma mula-sem-cabeça de estimação.
Mariazinha: Prove.
Joãozinho: Prove que não tenho...
****

Joãozinho: Aqui na escola tem um pônei rosa de cinco patas.
Mariazinha: Não acredito.
Joãozinho: Tem sim.
Mariazinha: Mostra.
Joãozinho: Mas ele não pode ser visto nem ouvido, não deixa rastros nem pode ser tocado.
Mariazinha: Esse pônei não existe.
Joãozinho: Me prova...
****

Como provar?

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

A CARNE É FRACA. O ARGUMENTO TAMBÉM…





Uma tentativa estúpida de nos transformar em ovo-lacto-vegetarianos. Um texto mais vazio de razão que o discurso do Sarney. Esse documentário – A carne é fraca – apela ao extremismo e trás tantas contradições quanto informações equivocadas. Vejamos:


O filme inicia com as desvantagens político-econômicas e ambientais da pecuária. Seu primeiro erro gravíssimo é a comparação da fome no mundo com a criação de gado. Primeiramente, porque gado é alimento. Contudo, os "especialistas" afirmam que a ração dada aos animais é toda feita de cereais e estes poderiam estar no prato de famintos. O que eles ignoram é que esses famintos não têm dinheiro para pagar sua comida, logo, de nada adiantará mais comida no mundo. Comida, aliás, temos de sobra. O problema é a velha distribuição de renda.


Seguindo a mesma linha, os "especialistas" atestam que o espaço que a vaca tem para viver é demasiado grande e este deveria ser de ocupação humana. Afirma, juntamente, que é um absurdo haver tantos bovinos quantos humanos no Brasil. A princípio, eu pensava que era a velha distribuição de renda que tornava a terra inacessível a todos, e não o espaço, ainda mais depois da verticalização das cidades. Sobre a quantidade de animais, essa é uma comparação inócua. Sempre houve mais animais que humanos e somente hoje esse número começa a inverter por causa da melhoria da saúde, etc e etc.


Por último, o ecologicamente correto. Bois arrotam e peidam, causando grave estrago na camada de ozônio. Que animal que não peida? Os excrementos dos animais e seus remédios contaminam rios e lençóis freáticos. E os agrotóxicos? Além do mais, agora se tem implantado a produção de energia por biomassa, o que minimiza os estragos causados pelas fezes criminosas dos porquinhos. Ah, e a Amazônia? O próprio documentário afirma que a destruição é por causa da AGROpecuária. Ou seja, primeiramente avançam os agricultores, para depois o gado se instalar.


Então, o documentário passa o lado sensível. Eles humanizam os animais. Comparam, absurdamente, a exploração dos animais à escravidão. "As vacas leiteiras sofrem por ter que engravidar sempre". E as vacas que vivem no mato? Não engravidam por acaso? Ou elas dizem ao touro, quando estão no cio, "agora não". As fortes cenas dos matadouros são a única parte marcante e de relevância, mas que criatura que come um bife não sabe que aquilo foi uma vaca? Será que o animal pensa que puseram ela para nanar antes de matá-la? Aliás, ninguém recrimina um tigre por matar uma gazela. Ninguém recrimina um leão por matar os descendentes de outros… Enfim, apelam tanto e chegam ao fator dos peixes. Peixes deveriam viver livres nos oceanos sem nós. Agora, o que um japonês vai comer? Onde essa criatura vai plantar?


Para concluir, vacas só existem porque nós precisamos de seu couro para sapatos e roupas (outro problema ignorado pelos "especialistas") e sua carne para a alimentação, assim como cães existem porque precisamos de "companheiros". É estupidez ter pena de um animal criado para isso e, ao mesmo tempo, ter nojo de um mendigo na calçada.



P.S.: vá comer um McDonald's, é carne de minhoca… mas, ops, minhocas são seres vivos! Assim como a alface, a beterraba, a cenoura…



E, Carol, o mundo não está perdido. Nós estamos aqui!

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

As cores

As cores existem. Eu as vejo e tu, que me lês, certamente as vês também. Concordamos, então, que as cores existem. Essas letras são brancas e o fundo é preto. A camisa do Internacional é vermelha com branco e a do Grêmio é azul, preto e branco. Concordamos. As cores existem.

Os cegos não vêem cores. Os casos mais fortes de daltônicos não vêem cores. Como explicar-lhes o que são as cores? Como dizer-lhes que as cores existem, se eles negarem? Direi a um cego que o azul é frio e o vermelho é quente? Direi que o amarelo é alegre? Isso não são cores… As cores existem? E se eles estiverem certos a respeito da inexistência das cores?

E, então, olho os insetos. Eles têm uma visão totalmente diferente da minha. Os morcegos não vêem. Muitos peixes são cegos. E todos sobrevivem. Se muitos deles enxergassem cores, poderiam não sobreviver. Seres noturnos morreriam mais facilmente porque as cores atrapalhariam sua visão… eles não precisam delas. E assim por diante…

As cores, então, são apenas uma das maneiras de ver o mundo. As cores são uma adaptação nossa para que vivamos de um jeito mais eficiente. Se elas existem, eu não sei, mas elas me fazem viver melhor.

Deus é uma cor. Há gente que precise enxergar essa cor para viver… eu não.

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Uma luz...


Compaixão, s.f. 1. Pesar que desperta em nós o mal de outras pessoas. [Minidicionário Soares Moura, 3ª edição]

Vivemos num mundo injusto. O mundo é trevas e blábláblá… é a realidade e ela deve ser aceita. Ponto. Contudo, nem por isso devemos desistir de um lugar melhor. O mundo perfeito é a maior das utopias, diferente em cada mente, mas o que temos que objetivar. Por quê? Porque é necessário sonhar. É necessário um objetivo longínquo para que cheguemos ao mais próximo. E o que seria esse mais perto nesse texto? A solidariedade.
Muitas pessoas têm uma posição extremamente individualista no convívio em sociedade. Elas dizem que não têm responsabilidade nenhuma para com o moribundo jogado ali na calçada. Elas dizem que não têm por que ter pena. Elas dizem que pagam seus impostos e que cuidar daquelas pessoas é tarefa do governo. E, por último, elas dizem que o mundo simplesmente é assim.
Elas estão certas. Elas não têm dever para com ninguém. Todos temos liberdade para o que queremos, desde que não interfiramos na liberdade do outro. Logo, elas não precisam ajudar ninguém. Entretanto, esse ceticismo quanto ao valor de um pão e um copo de leite, quanto a uma oportunidade ou um par de tênis leva a um círculo vicioso. Aquele moribundo, cuja situação não tem relação alguma com a vida daquela pessoa, pode estar apontando, noutro dia, o revólver para ela. Pode ser aquele que quebrará o vidro do carro desse indivíduo racional. Pode ser, enfim, o temido submundo.
Por isso o convívio em sociedade exige certa dose de compaixão. Não digo dar esmola em esquina (dê um sanduíche!), mas olhar com outros olhos o que mal vemos. Temos, na maioria das vezes, um olhar elitista. Apesar de não precisarmos dar parte do que suamos para conseguir, se não o fizermos, poderemos perder tudo amanhã. Um copo de leite e um pão servem. Um agasalho no inverno, uma doação a uma instituição confiável. Se o mundo é trevas, podemos ser a luz.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Nostalgia de fim de ano



Fui atingido por uma profunda nostalgia. Talvez tenham sido essas noites em claro, talvez todos esses eventos do ano… ou, devo admitir, o final da escola.


Apesar de não ter nenhum "velho amigo" em minha turma (sou um dos alunos mais novos), criei laços de amizade e, diferentemente dos outros anos, no próximo não voltarei a vê-los todos os dias. Não terei que enxergar todas aquelas caras, feias e bonitas, alegres e tristes, todos os dias. Não será certo o encontro com a maioria dos meus colegas. Creio que seja isso…


É difícil admitir que iremos todos para lados diferentes. É difícil pensar que nos veremos raramente, pois, por mais que mantenhamos contato, teremos outros compromissos, outros círculos sociais. E, isto, para mim, é um tanto complicado.


Minha alma parece estar em meio a um sereno… A felicidade e o medo do futuro! A quebra de mais de uma década de rotina não é algo corriqueiro. Apesar de estar aliviado por sair da escola em breve, começo a ficar melancólico. Meu futuro é um borrão enquanto tantos outros têm o que querem em detalhe. Suas viagens, seus cursos, sua futura profissão. Tudo tão certo e tão provável que a vida já está feita. E o meu futuro é um borrão…


Talvez seja melhor assim, olhando por outro lado. Ou não. Uma vida incerta, uma busca bêbada pela felicidade e ideais tão utópicos, tão longínquos que chegam a ser risíveis. Porém, sabemos que a cada esquina há uma certeza, e assim, ao que parece, construirei minha vida. Incerta e não-metotizada. Sem métrica! Seguindo por vias tortuosas e obscuras que poderão tornar-me um nada. Seguir estupidamente o meu caminho sem saber o que exatamente quero, buscando, apenas, minha realização.


Enfim, meu futuro é um borrão.