Aquela rua que outrora terminava ali no fim do bairro, agora continua. Os campos extensos que haviam logo depois não mais existem... Olhava o horizonte, eu, pequeno, e via algumas poucas casas. Éramos sós, éramos nós, e o mundo era algo distante. Os formigueiros eram meus playgrounds e as ruas minhas pistas de bicicleta. O ar que respirava até que era limpo, e, volta e meia, passava uma boiada em frente à casa. As pessoas eram poucas e assaltos não haviam. Era um pacato lugar...
A civilização nos descobriu. Hoje minha rua se estende para lá no Guajuviras e já há outro bairro nos circundando. Os terrenos baldios foram ocupados por centenas de casas e grupos de pessoas estranhas passam aqui pela frente. O mundo nos absorveu, a internet banda-larga chegou. Mas chegou também o crime. A casa do vizinho foi incendiada e o mercadinho, que também cresceu, precisou pôr grades. Os quebra-molas se multiplicam, inutilmente, para tentar aplacar os rachas, e as noites são barulhentas por causa dos bêbados dos butecos.
A pracinha está maior, sim. Mais bonita, arborizada e equipada. Fizeram cancha de bocha e campo de futebol. E também está lotada. Achar um pequeno recanto no fim de semana é uma árdua tarefa...
A civilização nos atingiu. Antes olhávamos o mundo, agora estamos no mundo. Muito avanço, sim, mas a que custo? Nossa casa era nosso refúgio, nosso templo de descanso. Agora não há mais descanso. Os ruídos dos ônibus e carros não respeita nosso conforto... O mundo nos engoliu. Prós e contras existem. Não reclamo da internet, da confeitaria, da limpeza dos matagais, mas sinto saudades daquele repouso...
Estava pensando exatamente nisso esses dias (ontem). Esses invasores nos circundando (Acácias e Ozanan), as vacas lá longe, essa gente que eu nunca vi, os ônibus lotados (me lembro do tempo em que eu chegava sozinha à estação no Parque Universitário)... E agora nossa pacata estação São Luís já tem até um mendigo fixo!
ResponderExcluirMas eu prefiro desse jeito.