sábado, 25 de setembro de 2010

Ah, esses dias... e outras notas

Sempre buscamos viver bem. Estar bem e, quem sabe algum dia, ser bem. Contudo, como me parecem estranhos os dias quase perfeitos. Uma sensação de que algo está fora do lugar, como se não fosse realidade. Talvez o legítimo "está bom demais para ser verdade". Seria essa a "ataraxia" tão pregada pelos antigos?
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Os evangélicos - não só eles, a CNBB também tem usa parcela de culpa - conseguiram me convencer a votar na Dilma. Fico um pouco abismado com essa minha mutação... alguns posts atrás eu estava criticando aqueles que manteriam o PT no poder, agora contribuirei para isso.
Sobre a atuação das diversas igrejas nessa reta final, fica muito evidente que, entre religiosos, não há distinção entre política e religião. Isso deve ser meio óbvio, contudo sempre propagandeiam nas escolas que estamos num estado laico (ironicamente, nossa constituição, segundo ela mesma, está sob a proteção de Deus). Religião é religião e política é política. Triste mentira...
Mas o que me pergunto: por que diabos religiosos (os de carteirinha) querem enfiar a todos suas convicções? Aborto legalizado, eles que não façam, po**a. Contudo, deus (qual? qual?) lhes disse que isso é errado. O meu Deus, único e verdadeiro, não se importa. E aí?
E mais impressionante e mostra de que as pessoas ainda têm uma mentalidade medieval é a rixa contra os homossexuais. Ó Xenu!, por que querem se meter na vida deles? Por que querem impedir seus direitos? Por que querem que eles queimem no inferno? "Não votem nos candidatos que apoiam os direitos dos homossexuais", há algo mais imbecil que isso? Com fatos como esses, fica difícil respeitar crenças religiosas.
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Sobre a mutação das coisas. Fica cada vez mais interessante a ideia de que não somos - mesmo em essência - aqueles de ontem. Não posso dizer, senão de modo conotativo, que as fotos que carrego na carteira são de mim. Aquele bebê que ali sorri não sou eu, mas outrém. Por ora, me parece a única alternativa para uma das minhas questões loucas. É interessante, até, pensar assim, pois, no fundo, a única coisa que não deve mudar é a matéria mais simples que compõe as coisas (que ainda não descobrimos, dado que cada vez mais fatiamos os "átomos" e podemos fatiar ainda mais). Talvez dê para chamá-la de "matéria-prima", usando um pouco do tio Aquino. O resto (eu, tu, aquela mesa, o teclado em que escrevo, os animais lá da rua...) está em constante transformação e mudança. E viva o devir...

Talvez uma outra alternativa para identificar o meu eu com aquele bebê da foto seria o espírito ou a alma. Contudo, não há nada de empírico nesses termos, visto que sua análise é puramente conceitual (e um dos grandes erros de filósofos e teólogos é fazer a passagem do conceito para o mundo sem observação). Sem falar que deveríamos saber se esse espírito estaria propenso a mudanças ou não, etc etc. É uma alternativa à qual não tomo uma posição afirmativa enquanto não evoluírem do conceito para o empírico (se tomasse tal posição, teria que aceitar a existência de unicórnios, já que existe o conceito deles muito bem formado).
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E isso dá justamente numa das minhas novas maneiras de ver a atividade filosófica. Voltei a pensar sobre depois de ver a angústia de um colega meu em tentar definir a filosofia (o que é, do que trata e qual a importância). Ele caiu naquilo que geralmente caímos: a filosofia deve se limitar a tratar da moral. Contudo, é certo que a atividade filosófica não tem peso apenas na moralidade, cenário em que a ciência cada vez mais entra. Ver a filosofia daquela forma é admitir que ela é apenas uma testa de ferro e logo será desnecessária. Mas isso é um "erro categorial" (talvez não seja o termo certo, mas é bonito... xD)
Enfim, minha nova ideia, além doutras que já expus no http://bittencourt42.blogspot.com , é a de que a filosofia, dado seu trabalho conceitual, trata da essência das coisas enquanto a ciência trata da existência. Me parece uma visão abrangente o suficiente para abarcar as várias correntes filosóficas e ver o cerne da diferenciação que se faz desta com a ciência moderna - a filosofia não pode ser considerada ciência por não ter o método empírico, lembram? O que significo quando digo essência? O significado das coisas. Exemplifico:
*O que é deus?, O que é alma?, O que é o bem?, O que é filosofia?, e outros blablablas filosóficos. Agora, se essas coisas existem, é tarefa dos cientistas.

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